O que uma sociedade faz com o sofrimento acumulado? Essa pergunta deveria ocupar lugar central na política deste século. Povos guardam medo, humilhação, luto e desejo de reparação.
Tragédias coletivas deixam um depósito emocional que atravessa gerações. O problema decisivo surge depois: quem administrará essa dor e que uso político fará dela? Uma população ferida pode entregar ao governante uma espécie de crédito moral antecipado.
Em nome da segurança, da ordem ou da reparação, passa a admitir métodos que recusaria em circunstâncias comuns. O sofrimento coletivo transforma-se, então, em matéria-prima do poder. A vítima de ontem acaba fornecendo, sem querer, a justificativa empregada contra a vítima de amanhã.
Esse mecanismo merece atenção especial neste momento.
Matéria completa: ler a matéria original
Fonte: Ag Brasil – Brasil

